Elefante asiático (Elephas maximus)
Nomes alternativos:, elefante (português), Elefant (alemão), eléphant (francês), elephant (inglês), olifant (holandês e africâner), gaja, hastin ou matanga (sânscrito), gaj (bengali), fil (farsi e árabe), ata (cingalês, macho), allia (cingalês, fêmea), ane (tâmil), tseng (birmanês), gajah (malaio e bahasa), hathi (hindi), xiang (chinês).
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Comprimento médio: machos 3 metros, mais 1,60 m de tromba e 1,50 m de cauda; as presas medem em torno de 1,50 m e pesam cerca de 20 kg cada uma; fêmeas 2,6 m, mais 1,30 m de tromba e 1,20 m de cauda; não têm presas. Altura média: machos, 2,70 m; fêmeas, 2,40 m.
Massa média: macho, 4,2 toneladas (+16); fêmea, 2,7 toneladas (+14½).
Hábitat: florestas e selvas da Índia, Sudeste Asiático, Sumatra e Bornéu. No passado, foi encontrado também na Mesopotâmia, Irã, Paquistão, China até o vale do Rio Amarelo e ilha de Java.
Inteligência Abstrata: -8; Inteligência Concreta: -3; Resistência: macho +3½, fêmea: +3; Proteção: +2½ (crânio: +3½); Tamanho: +2; Saúde: +2; Mobilidade: -½; Sentidos: +3 (Olfato: +10; Audição: +2; Visão: -2); Dificuldade de treinamento: +2.
Habilidades: Força: machos +18, fêmeas +16 (com a tromba, +5 e +4, respectivamente; com as presas, +6); Combate: +2; Esquiva: 1½ (tromba 3); Natação: +2; Corrida: +11; Caça: 0.
Manobras de combate: Golpe de presa: só o macho (4½ / 5½); Golpe de tromba: (2 / 2); Atropelamento: +4.
Características
Os elefantes asiáticos são animais gregários, que caminham em manadas de 15 a 30 indivíduos, geralmente liderados pela fêmea mais velha. Esta coordena os movimentos da manada, que cobre grandes distâncias (até 20 km por dia) na busca de água e comida e às vezes se divide em grupos menores, que mantêm contato por meio de vocalizações de baixa freqüência que alcançam grandes distâncias (até 4 quilômetros). Os machos às vezes viajam junto com as manadas de fêmeas, principalmente quando uma delas está no cio, mas geralmente viajam sozinhos ou em pequenos grupos. A densidade mínima para uma população viável é estimada em 0,31 indivíduos por quilômetro quadrado.
Alimentam-se de mais de cem espécies de plantas, incluindo gramíneas, folhas, ramos e cascas de árvores. Preferem florestas de arbustos, a altitudes de até 3.600 metros. Também podem ser encontrados na selva, mas geralmente nas beiras, onde têm acesso a áreas abertas e gramadas. Raramente se alimentam em uma mesma área por mais do que alguns dias de cada vez. Apreciam particularmente bananas e cana-de-açúcar, em busca das quais às vezes invadem as plantações. Geralmente se alimentam de manhã, no crepúsculo e à noite e passam o meio do dia descansando na sombra, abanando as orelhas para evitar o superaquecimento do corpo. As orelhas de elefantes asiáticos, menores que as dos africanos, têm cerca de 75 cm de comprimento e 60 cm de largura.
Os sentidos do tato e da audição são muito aguçados, mas a visão é fraca. A velocidade na corrida chega a 40 km/h (11 m/s), mas normalmente caminham entre 5 km/h e 6 km/h (1,5 m/s). Não são capazes de saltar, mas são bons nadadores. Quando assustados, os elefantes correm com as caudas erguidas, para sinalizar o perigo aos outros membros da manada.
As fêmeas de elefantes asiáticos nunca têm presas de marfim, mas a maioria dos machos, sim. Crescem cerca de 17 cm por ano, em média medem 1,5 metro e pesam 20 kg cada uma (entre elefantes asiáticos, o recorde é 70 kg). São usadas para cavar em busca d’água, arrancar cascas de árvores, manejar galhos e troncos caídos, marcar árvores, lutar e, nos animais domesticados, para trabalhar. Como os homens, os elefantes podem ser destros ou canhotos com as presas. O marfim, usado em artesanato e joalheria, é bastante valioso. Na Índia, onde 90% dos elefantes machos têm presas, aqueles que não as têm são chamados makhnas.
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Elefante branco |
Existem elefantes “brancos”, muito valorizados na Ásia, que não constituem uma raça à parte, mas casos de albinismo ou, simplesmente, de pele mais clara do que o comum.
A tromba, formada pela combinação do focinho alongado com o lábio superior, contém cerca de 150.000 músculos e é ainda mais útil: serve para comer, beber, cheirar, respirar, tocar, vocalizar, lavar, empoeirar (para se proteger de insetos) e lutar. Pode reter de 6 a 10 litros d’água. Na ponta, há um prolongamento semelhante a um dedo que é muito sensível e pode ser usado para manipulação precisa de objetos. O nome hindi do elefante, hathi, vem do sânscrito hastin, que significa “com mão”, em alusão à tromba. Pesa de 125 kg a 200 kg e seu comprimento é bastante variável: em alguns animais chega ao chão, em outros, só até o joelho.
Cada elefante ingere em média 150 kg de vegetação por dia, mas apenas 44% dessa massa é digerida. Também bebem cerca de 140 litros d’água por dia, 50 a 60 litros por vez e nunca ficam muito longe de um suprimento d’água.
As fêmeas parem um só filhote de cada vez, em qualquer época do ano, depois de uma gestação de 18 meses a 22 meses. Têm um filhote a cada três ou quatro anos quando estão saudáveis e bem alimentadas, mas a intervalos maiores em áreas se a alimentação é escassa. Os recém-nascidos pesam 80 kg a 100 kg, têm 90 cm a 1 m de altura e podem mamar da própria mãe ou de outras fêmeas que estejam lactando. Começam a comer grama depois de alguns meses e são desmamados aos 18 meses, mas as mães continuam a cuidar dos filhotes até os quatro anos. Os filhotes seguem as mães ou as irmãs mais velhas segurando em suas caudas. As elefantas formam um círculo protetor em torno dos filhotes, se estes forem ameaçados por algum predador.
Ambos os sexos podem amadurecer aos 14 anos, mas os machos não podem se reproduzir até que possam dominar outros machos adultos. Os machos deixam sua manada natal com essa idade, mas as fêmeas permanecem com suas parentas por toda a vida. Vivem até os 60 anos de idade em estado selvagem e até os 80 em cativeiro e, ao contrário da maioria dos mamíferos, continuam a crescer até a morte.
Os elefantes asiáticos têm sido domesticados há séculos e podem ser treinados para uma grande variedade de tarefas. São ou foram usados para transporte, tração (principalmente de troncos de árvores), caça, guerra e entretenimento. Em geral, são capturados e treinados já crescidos – quando criados desde filhotes por humanos, tendem a ser mimados e preguiçosos demais para o trabalho. Um típico elefante domesticado de 3 t a 4 t, consegue exercer uma tração de 800 kg a 1.000 kg, carregar 700 kg a 800 kg no dorso ou 400 kg nas presas e erguer 250 kg com a tromba.
Esses animais nunca se tornam totalmente domesticados e sempre mostram tendência a tentar fugir, se tiverem a oportunidade; os machos periodicamente entram em um estado de excitação no qual se tornam incontroláveis e perigosos, conhecido como musth. Os treinadores de elefantes são chamados cornacas (em inglês e na Índia, mahouts, em Mianmar, oozies). O aguilhão usado para controlar os elefantes é chamado em inglês de ankh (do sânscrito ankusha). O assento colocado sobre o dorso do elefante é chamado, em inglês, howdah. Os elefantes são famosos por sua memória e podem aprender dezenas de comandos diferentes, mas também podem se tornar extremamente rancorosos com pessoas que os maltratem (inclusive o treinador). Na Índia, os elefantes são domesticados desde o III milênio a.C.
Distribuição e subespécies
Em 1900, estimava-se a população de elefantes asiáticos em cerca de 200 mil exemplares. Atualmente, está reduzida a cerca de 40 mil, dos quais pelo menos 15 mil estão em cativeiro. Isto inclui cerca de 700 elefantes na Europa, 700 na América do Norte e 13.500 elefantes domesticados na Ásia.
São reconhecidas as seguintes subespécies:
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elefante indiano
Elephas maximus indicus ou Elephas maximus bengalensis |
Altura média: machos, 2,70 m; fêmeas, 2,40 m; Massa média: macho, 4,2 toneladas (+16); fêmea, 2,7 toneladas (+14½), Força: machos +18, fêmeas +16; Resistência: machos: +3½, fêmeas +3. É a subespécie mais numerosa e conhecida, encontrada da Índia à Malásia continental.
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elefante do Ceilão
Elephas maximus maximus |
Altura média: machos, 2,90 m; fêmeas, 2,60 m; Massa média: macho, 4,8 toneladas (+17); fêmea, 3,1 toneladas (+15½), Força: machos +19, fêmeas +17; Resistência: machos: +4, fêmeas +3½. Há cerca de 3.000 exemplares selvagens em Sri Lanka (eram 10.000 por volta de 1900) e 500 domesticados. São um pouco maiores que os indianos e ocasionalmente alcançam 3,5 metros de altura, mas só 7% dos machos têm presas, talvez devido à atuação de caçadores de marfim no passado. Têm crânios maiores em relação ao corpo e uma pele mais escura, com áreas descoloridas na cabeça, tromba e orelhas. |
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elefante do Nepal
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Altura média: machos, 3,00 m; fêmeas, 2,70 m; Massa média: macho, 6 toneladas (+18); fêmea, 4 toneladas (+16); Força: machos +20, fêmeas +18; Resistência: machos: +4, fêmeas +3½. No norte do Nepal, foi descoberta em 1992 uma população de 50 a 85 elefantes “gigantes” (machos com até 3,7 m de altura) e com um formato de crânio característico, que pode constituir uma nova subespécie. |
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elefante de Sumatra
Elephas maximus sumatrensis |
Altura média: machos, 2,30 m; fêmeas, 1,90 m; Massa média: macho, 2,8 toneladas (+14½); fêmea, 1,8 tonelada (+12½); Força: machos +17, fêmeas +14½; Resistência: +3. Existem cerca de 3.000 exemplares desta subespécie de tamanho relativamente pequeno. |
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elefante de Bornéu ou malaio
Elephas maximus borneensis ou Elephas maximus hirsutus |
Altura média: machos, 2,20 m; fêmeas, 1,80 m; Massa média: macho, 2,5 toneladas (+14); fêmea, 1,5 tonelada (+12); Força: machos +16½, fêmeas +13½, Resistência: +3. A menor das subespécies vivas de elefante, tem cauda proporcionalmente mais longa, presas mais finas e orelhas mais amplas. Encontrado só não nordeste ilha de Bornéu, onde há cerca de 1.400 exemplares. Apesar de uma tradição local afirmar que os elefantes de Bornéu haviam sido trazido de Sumatra em 1750, pelo sultão de Brunei, testes genéticos provaram que essa população separou-se das demais subespécies há cerca de 300 mil anos. |
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elefante da China Elephas maximus rubridens |
Altura média: machos, 2,70 m; fêmeas, 2,40 m; Massa média: macho, 4,2 toneladas (+16); fêmea, 2,7 toneladas (+14½), Força: machos +18, fêmeas +16; Resistência: machos: +3½, fêmeas +3. Foi descrito em fontes chinesas como de pele muito escura e de presas rosadas. Extinguiu-se no norte da China na Antiguidade e no sul da China no século XV (ainda existem alguns elefantes selvagens nas florestas do Yunnan, mas são da subespécie indiana). |
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elefante do Oriente Médio |
Altura média: machos, 2,90 m; fêmeas, 2,60 m; Massa média: macho, 4,8 toneladas (+17); fêmea, 3,1 toneladas (+15½), Força: machos +19, fêmeas +17; Resistência: machos: +4, fêmeas +3½. Subespécie de tamanho grande, extinta na Síria desde cerca de 100 d.C. Incluía o elefante pessoal de Aníbal, chamado Surus, ou “Sírio” ( os outros 36 de seu exército, menores, eram elefantes norte-africanos). Esses elefantes também foram usados por Pirro, rei do Epiro e pelos selêucidas. |
Espécies afins
Existiram muitas outras espécies do gênero Elephas que se extinguiram em tempos pré-históricos. Entre outras:
Elelphas eckorensis: espécie africana que viveu de 5.000.000 a.C. a 3.000.000 a.C. e possivelmente é o ancestral de toda a linhagem Elephas, incluindo o atual elefante asiático.
Elephas recki: espécie de grande porte que viveu na África entre 4.000.000 a.C. e 500.000 a.C. Conviveu com os primeiros hominídeos nas savanas, enquanto os ancestrais dos atuais elefantes africanos (Loxodonta sp.) viviam nas florestas. Conhecem-se cinco subespécies, que podem representar diferentes estádios de sua evolução – Altura média: machos, 3,75 m; fêmeas, 3,3 m; Massa média: macho, 6 toneladas (+18); fêmea, 8 toneladas (+16), Força: machos +20, fêmeas +18; Resistência: machos: +4, fêmeas +3½;
Elephas iolensis: espécie africana, mais recente que o recki e de menor porte e provavelmente seu descendente, de 1.000.000 a.C. a cerca de 11.000 a.C.
Elephas hysudricus: de tamanho semelhante ao atual elefante indiano, do qual provavelmente é o ancestral, viveu na Ásia (inclusive China) e Europa até cerca de 800.000 a.C.
Elephas planifrons: viveu na Índia e Nepal até 800.000 a.C.
Elephas celebensis: elefante anão de Java e das ilhas Celebes, com cerca de 1 metro de altura, que viveu entre 1.800.000 e 800.000 a.C. Características semelhantes ao Elephas falconeri do Mediterrâneo, mais conhecido (ver adiante).
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Elephas antiquus (elefante gigante do paleolítico europeu)
Elephas falconeri (Elefante pigmeu do Mediterrâneo) |
As seguintes espécies são às vezes classificadas como Elephas, outras vezes como um gênero à parte, chamado Palaeoloxodon, com características intermediárias entre o elefante asiático e o africano:
Elephas antiquus: um elefante muito grande, com presas longas e quase retas, que viveu na Europa entre 700.000 a.C. e 80.000 a.C. – Altura média: machos, 4,2 m; fêmeas, 3,7 m; Massa média: macho, 12 toneladas (+21); fêmea, 8 toneladas (+19), Força: machos +22, fêmeas +20; Resistência: machos: +4½, fêmeas +4; Manobras de combate: Golpe de presa: só o macho (5 / 6); Golpe de tromba: (3 / 3); Atropelamento: +5
Elephas mnaidrensis: elefante de porte médio da Sicília e Malta, datado de há 200 mil anos. Espécimes semelhantes foram encontrados na ilha de Rodes (Grécia). Com cerca de 2 m de altura, teria características semelhantes aos modernos elefantes de Sumatra.
Elephas melitensis: elefantes pigmeus da Sicília e de Malta, com cerca de 1,5 m de altura. – Altura média: 1,5 m; Massa média: 500 kg (+7), Força: +10; Resistência: +2; Proteção: 2; Manobras de combate: Golpe de presa: só o macho (3 / 4).
Elephas creticus: elefante pigmeus da ilha de Creta, com 1,5 m de altura.
Elephas falconeri: elefante pigmeu da Sicília e Malta, com 90 cm a 1,4 m de altura, datado de há 500 mil anos. Espécimes similares foram encontrados na ilha de Chipre (Elephas cypriotes) e em várias das ilhas Cíclades (Grécia). A espécie de Chipre sobreviveu até 10.500 a.C. e a da ilha de Tilos, até 4.000 a.C. – Altura média: 1 m; Massa média: 100 kg (0), Força: +5; Resistência: +1; Proteção: 1; Esquiva: 2; Manobras de combate: Golpe de presa: só o macho (2 / 3).
Elephas namadicus: elefante pigmeu, de tamanho semelhante ao falconeri, encontrado na Europa e Ásia até 800.000 a.C.
Mitos e folclore
Na tradição indiana, o elefante é considerado um animal que compartilha da natureza do homem. Um mito conta que, quando sete filhos da deusa Aditi remodelaram o deformado oitavo filho, Martanda, na forma de um homem, eles jogaram fora a carne excedente e esta se tornou o elefante.
Segundo um conhecido mito hindu, o mundo é suportado por quatro ou oito enormes elefantes, que por sua vez se apóiam sobre uma tartaruga ainda mais imensa, rodeada por uma serpente gigantesca. O elefante é também a montaria de Indra, o deus mais importante dos tempos védicos e, por meio dele, está associado às nuvens, à chuva e às colheitas. O deus Ganesha, da sabedoria e da erudição, é representado com cabeça de elefante.
Os indianos, assim como se dividem em castas, também classificam seus elefantes em quatro categorias: bhadra (de Estado), manda (lento), mr'ga (veado) e sam'kenrn'a (misto).
O ioga associa o elefante, como símbolo de estabilidade, ao muladhara chakra, associado à base do corpo, à terra e à cor ocre.
Os elefantes do Ceilão têm a reputação de serem superiores. Diz a lenda que todos os outros elefantes, inclusive os africanos, se inclinam em sua presença (é possível que os elefantes do continente indiano, pelo menos, os respeitem, pois os cingaleses tendem a ser de porte maior).
Para os reis da Índia e Sudeste Asiático, possuir um elefante era símbolo de poder, soberania e riqueza. O rei ou rajá consagrava o elefante do Estado com um batismo ritual.
Essa tradição é particularmente forte nos países budistas, principalmente em relação aos elefantes brancos, pois o mito diz que foi do toque de um filhote de elefante branco que a rainha Maya concebeu o Buda.
Na Tailândia, a categoria “elefante branco” não significa necessariamente um albino, mas um elefante de pele clara que também tenha certos outros traços especiais, incluindo cor dos olhos, forma da cauda e orelhas e inteligência, em função dos quais é classificado em uma das quatro categorias. Todo “elefante branco” compatível com o teste é apresentado ao rei, mas não necessariamente aceito e mantido em cativeiro. O atual rei da Tailândia possui dez “elefantes brancos”. No passado, os elefantes brancos de categoria mais baixa eram dados como presentes a amigos e aliados do rei (hoje costumam ser simplesmente libertados). Esses animais necessitavam de toda uma equipe para lhes prestar cuidados e, sendo sagrados, não podiam ser postos para trabalhar, de modo que, se tornavam uma pesada carga financeira, capaz de levar à ruína qualquer um que não fosse muito rico – daí a expressão “elefante branco” para posses dispendiosas e inúteis.
Na China, o elefante simboliza força e astúcia e também é visto como um animal de elevados padrões morais: acreditam que os elefantes só têm relações sexuais n’água, para manter sua privacidade. Os antigos gregos e romanos também o viam de maneira semelhante: Plínio, o velho, dizia que os elefantes erguem ramos arrancados da floresta e os agitam com os olhos voltados para a lua nova, como se dirigissem uma prece à deusa. Aristóteles escreveu que, enquanto a fêmea está prenhe, o macho não se aproxima dela nem cobre nenhuma outra fêmea, e que ele seria até mesmo o vingador do adultério. Bestiários medievais costumavam reproduzir essa idéia e ilustrá-la com um elefante a lutar com um javali: a luta do pudor contra a libido.
Existe uma lenda chinesa de um caçador que mata um monstro que caçava elefantes e, em recompensa, é levado por um deles a um lugar onde encontra mais de 300 presas de marfim. Uma lenda semelhante é contada por Sindbad nas 1001 noites. A lenda de “cemitérios de elefantes” secretos, procurados pelos elefantes idosos quando sente estar para morrer, foi popular entre caçadores de marfim de todas as épocas, mas não tem base na realidade (embora seja possível encontrar restos de manadas cujos indivíduos foram mortos em massa, às vezes por homens primitivos).
Acredita-se que o descobrimento de crânios do Elephas antiquus (ou de espécies menores de elefantes extintos) por povos da antiguidade clássica deu origem ao mito dos ciclopes: o grande buraco à frente do crânio dos elefantes, correspondente à tromba, teria sido interpretado como o olho do ciclope.
O Brasil dos outros 500
No Brasil dos outros 500, os elefantes asiáticos são encontrados em todo o sul da Ásia, incluindo os vice-reinos luso-brasileiros da Índia e Malásia. A caça é regulamentada, mas caçadores clandestinos são comuns. O marfim é cotado a cerca de $500 o quilo.
Atlântida
No universo de Atlântida, os elefantes asiáticos são encontrados em Bharata, Sunda e outras terras do oriente. A espécie Elephas antiquus é encontrada na Terra Gadírica e em Poseidônis, onde são domesticados para trabalhos agrícolas. Elefantes pigmeus como o falconeri e o melitensis, encontrados em várias ilhas menores do arquipélago atlante e Mar de Tétis, são também domesticados como montaria ou animais de estimação.
Solidariedade Galáctica
No Universo da Solidariedade Galáctica, os elefantes asiáticos continuam a existir com a mesma distribuição do Brasil dos outros 500.